domingo, 17 de abril de 2016

No dia dezessete de abril do ano da graça de 2016


Dói muito ouvir os fogos aqui em Guarulhos.
Pobres e classe média comprando o discurso da elite econômica, como se todos fossem associados à FIESP.
Sinto-me fracassado como professor, pois tenho certeza de que muitos desses que estão soltos fogos e assoprando suas vuvuzelas foram meus alunos. Não fui eficiente em mostrar como essa mídia manipula, toma conta dos corações das pessoas e constrói os descaminhos que estamos vendo.
Sinto-me fracassado como político também. Desisti de algumas boas brigas, isso ajudou abrir espaço para oportunistas e salafrários, não ajudei de forma eficiente os bons combatentes. Cansei antes do tempo.
Chorei muitas derrotas.
Chorei as mortes daqueles que foram torturados e perseguidos.
Chorei a derrota das Diretas Já.
Chorei a derrota para Collor em 1989.
Fiquei oito anos apreensivo com o governo do FHC, vendo a fome, tão bem mapeada para nós, Geógrafos, por Josué de Castro, tomar conta de parcela importante do nosso povo.
Indignei-me com a compra de votos para a reeleição, com a mentira do Real igual ao Dólar, com o desemprego, com a inflação alta, com o aprisionamento, que parecia eterno, ao FMI.
Comemorei moderadamente a eleição do Lula em 2002, muito por conta do arco de alianças para garantir a tal governabilidade.
Esperei, em vão, a Reforma Agrária, a Reforma Política, a "revolução" na educação e na saúde.
Voltei a votar em Lula em 2006, temendo a realização do golpe midiático que se anunciava, apoiado na falácia do mensalão.
Lá no meu íntimo temia que esse “presidencialismo de coalizão”, um monstrengo legado pela nossa Constituição de 1988, daria nisso.
Dilma vacilou no início do seu segundo mandato. Deveria ter feito uma enorme guinada à esquerda e procurado os movimentos sociais. Estava claro que Aécio e corja não aceitariam a derrota.
Estava claro que aqueles que sempre mandaram não iriam aceitar uma nova temporada de um governo de centro esquerda e ainda mais com inovações, como as redes sociais, colocando à prova o quarto poder, sócio da ditadura e âncora dos governos.
Juntamente com esses fatos observamos o crescimento do movimento “neofascista”, aqui e em vários outros cantos do mundo.
Com apoio de uma mídia comprometida com as velhas estruturas, até a raiz do cabelo, o fundamentalismo religioso ganhou espaço político. O preconceito expandiu-se nas redes sociais e no cotidiano das pessoas.
Os reacionários perderam a modéstia e, apoiados num discurso raivoso da mídia, ganharam espaços preciosos. Hoje se arvoram em ditar o que deve ser ensinado nas aulas de Geografia, História, Filosofia e Sociologia, Censuram textos nas aulas de Português. Encontram ressonância na Folha de S. Paulo, Estadão, O Globo, TV Globo, Band e demais congêneres.
Tenho comigo um orgulho imensurável: sempre estive do lado dos mais fracos, daqueles que não tem voz. Sou favorável às cotas, apoio os movimentos feministas, apoio as causas LGBTs, mesmo atravessando uma grave crise financeira e de saúde mantenho meu trabalho como voluntário num cursinho para alunos oriundos da escola pública, e, o mais importante, não desisto nunca de sonhar com um mundo melhor, mais justo e igualitário.
A luta não termina hoje!
O povo está nas ruas novamente!
Escolados pelos longos e tenebrosos anos da ditadura cívico-militar que nos silenciou, gritaremos com todas as nossas forças:
- Não vai ter golpe!

- Fascistas não passarão!

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