domingo, 27 de março de 2016

A escola deve evitar o debate político?

Eu até compreendo quando as pessoas alertam para o clima pesado de Fla x Flu que vivemos, a intolerância para o contraditório alimentada no dia a dia. Mas, pergunto-lhes, não é a escola um dos espaços adequados para a reversão desse quadro?
Ao longo do meu exercício no magistério tentei emplacar clube de debates, várias vezes, mas nunca consegui levar adiante a ideia, embora tenha exercitado, aqui e acolá, tais práticas dentro dos limites curriculares.
Penso que tal ideia deveria ser difundida em todos os segmentos escolares nesse momento. Opinião com fundamento, exercício da retórica com alteridade!
Surpreendeu-me, negativamente, e-mail de um dirigente de faculdade – muito progressista e de ótima qualidade –, dizendo que o espaço daquela instituição não era o lugar adequado para o debate político.
Compreendo a gravidade do momento que vivemos. Mas não seria o caso de uma intervenção – por parte de coordenadores, professores, dirigentes e mantenedores – pedagógica nesse processo, garantindo o debate amplo e irrestrito no espaço escolar?
Não seria o momento de mostrarmos o que é política com "P" maiúsculo, aquela que busca o interesse da coletividade, que almeja ampliar a civilização e busca a justiça para todos?
Não seria o caso de mostrarmos outras formas de representação coletiva e analisarmos, em profundida, nosso sistema, seja ele o executivo, legislativo ou judiciário?
Esse é um momento privilegiado para discutirmos o papel da mídia e das instituições. Calados não iremos a lugar nenhum.
Nesse âmbito podemos envolver alunos, professores, funcionários, ativistas dos movimentos sociais etc.
Omitindo-nos apenas contribuímos com aqueles que querem criminalizar a política e entregar o poder a um “salvador da pátria”, abrindo caminho para soluções autoritárias e fascistas.

Já conhecemos esse filme e nele o mocinho morre no final.

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