Eu
até compreendo quando as pessoas alertam para o clima pesado de Fla x Flu que
vivemos, a intolerância para o contraditório alimentada no dia a dia. Mas,
pergunto-lhes, não é a escola um dos espaços adequados para a reversão desse
quadro?
Ao
longo do meu exercício no magistério tentei emplacar clube de debates, várias
vezes, mas nunca consegui levar adiante a ideia, embora tenha exercitado, aqui
e acolá, tais práticas dentro dos limites curriculares.
Penso
que tal ideia deveria ser difundida em todos os segmentos escolares nesse
momento. Opinião com fundamento, exercício da retórica com alteridade!
Surpreendeu-me,
negativamente, e-mail de um dirigente de faculdade – muito progressista e de
ótima qualidade –, dizendo que o espaço daquela instituição não era o lugar
adequado para o debate político.
Compreendo
a gravidade do momento que vivemos. Mas não seria o caso de uma intervenção – por
parte de coordenadores, professores, dirigentes e mantenedores – pedagógica
nesse processo, garantindo o debate amplo e irrestrito no espaço escolar?
Não
seria o momento de mostrarmos o que é política com "P" maiúsculo,
aquela que busca o interesse da coletividade, que almeja ampliar a civilização
e busca a justiça para todos?
Não
seria o caso de mostrarmos outras formas de representação coletiva e
analisarmos, em profundida, nosso sistema, seja ele o executivo, legislativo ou
judiciário?
Esse
é um momento privilegiado para discutirmos o papel da mídia e das instituições.
Calados não iremos a lugar nenhum.
Nesse
âmbito podemos envolver alunos, professores, funcionários, ativistas dos
movimentos sociais etc.
Omitindo-nos
apenas contribuímos com aqueles que querem criminalizar a política e entregar o
poder a um “salvador da pátria”, abrindo caminho para soluções autoritárias e
fascistas.
Já
conhecemos esse filme e nele o mocinho morre no final.
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